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  • Ronaldo Nazar

1ª temporada internacional de Fórmula 3

Entre os meses de janeiro e fevereiro de 1966, foi disputada na Argentina , a 1ª temporada internacional de Fórmula 3.


Tratava-se de uma categoria escola recém implantada na Europa , e chamava atenção por ser simples e barata. Luiz Antonio Greco, o Big Boss da equipe Willys , tinha ido à Europa em 1965, para ver as novidades que estavam acontecendo por lá.

E o que mais chamou atenção de Greco , foi justamente essa nova fórmula. De volta ao Brasil , obteve sinal verde da diretoria da Willys e formou um grupo de trabalho para construir o primeiro carro de fórmula 3 brasileiro .


O construtor do novo fórmula seria Toni Bianco , que tinha feito o fórmula Júnior que obteve bons resultados nas competições. Para dar o apoio logístico a Toni Bianco , Brizzi e sua equipe de mecânicos.

O piloto escolhido foi Wilson Fittipaldi Jr. O carro seria feito sob medida para Wilsinho. O motor foi o Renault R8 que se enquadrava no regulamento da categoria. O carro depois de pronto , foi batizado com o nome de Willys Gávea. O torneio foi realizado com 4 etapas a saber: Buenos Aires, Rosário, Mendonza e Mar Del Plata.


O que tinha de melhor da fórmula 3 europeia veio para a temporada argentina. Jovens pilotos que iriam nos anos vindouros , brilhar na elite mundial do esporte. Clay Regazzoni, Mauro Bianchi, Piers Courage, Chris Irwin, Silvio Moser e claro o nosso Wilsinho Fittipaldi. Ao fim dessa maratona de 25 dias, o saldo foi altamente positivo para a equipe Willys .


Luiz Antonio Greco , já sabia de antemão que estava em desvantagem para os fabricantes europeus, que tinham larga experiência na construção desses bólidos. Brabham, Lotus e Alpine tinham projetos mais elaborados .


Apesar dessa distância, o saldo da participação da equipe brasileira , foi altamente positivo, pois Wilsinho sempre andou no meio do bolo . Sua melhor participação foi em Rosário , onde concluiu a prova na 9ª colocação.


E foi nessa temporada de fórmula 3, que ficou marcado na história a 1ª participação de uma equipe brasileira com um carro fabricado no Brasil . Foi também o " batismo" internacional de Wilson Fittipaldi Jr. Uma experiência única .

O intercâmbio com os estrangeiros, segundo à época opinião de Luiz Antonio Greco , quebrou um abismo de pelo menos 10 anos de hiato técnico entre o automobilismo brasileiro e o internacional.


E foi a partir dessa temporada que se desencadeou uma série de acontecimentos no nosso automobilismo que culminaria , em apenas seis anos , com a vinda da fórmula 1 para Interlagos e consequentemente , a conquista do título mundial de 1972 por Emerson Fittipaldi.


Uma verdadeira epopeia, iniciada nessa temporada de fórmula 3 . Áureos tempos, grandes brasileiros. Há 55 anos. Direto do túnel do tempo.


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